Você precisa ter uma conta no Exterior

Este texto é para incentivar a abertura de uma conta corrente e/ou investimento no exterior.
Já discuti este assunto com vários amigos e tenho a certeza da importância do tema.
Abaixo escrevo alguns motivos, pensamentos e ideias sobre o assunto… vamos lá!

Por que ter uma conta no exterior?

1) Despesas em viagens.
Se aqui no Brasil você saca dinheiro nos caixas eletrônicos para pagar despesas correntes, por que seria diferente quando estiver no exterior? Essa alternativa nos protege de ter que andar com muito dinheiro em espécie escondido na mochila ou doleira e também de pagar altas taxas e impostos pelo cartão de crédito. É mais seguro, pois alivia a responsabilidade de tomar conta de muito dinheiro a todo instante. Nunca aconteceu comigo e espero que não tenha acontecido com você, mas certamente uma perda/roubo de dinheiro durante a viagem estraga o astral de qualquer um.
Além do mais, se você não pensa em viajar para o exterior neste instante, talvez seu filho faça um intercâmbio no futuro para aprender cultura e idiomas. É possível também que você decida viver um tempo da aposentadoria no exterior (talvez numa ilha do Caribe!?). Independente da motivação, se lá na frente o Real estiver muito desvalorizado, isso poderá eliminar essas possibilidades.

2) Facilidade na compra periódica de câmbio.
Um planejamento robusto de viagem é feito com compra de câmbio aos poucos. Não é responsável deixar para comprar dólares (ou qualquer outra moeda) na véspera da viagem. A verdade é que se você comprar diversas vezes aos poucos, terá um preço médio que conseguirá pagar e evitará distorções pra cima (câmbio mais caro). Com uma conta no exterior existe mais liberdade para fazer transferências periódicas e comprar divisa aos poucos. A relação USDBRL (ou razão dólar por real) é uma série temporal que aumenta em picos e rapidamente, mas diminui lentamente ao longo do tempo quando as condições melhoram para o Real. Se um pico ocorrer logo antes da sua viagem ou logo antes do pagamento da sua fatura, o valor das suas compras será bem mais caro que o planejado. A compra aos poucos e espaçada é recomendada exatamente para não correr esse risco.

3) Diversificação, hedge/proteção e preservação de patrimônio.
Para a construção de patrimônio robusto e conseguir vencer financeiramente no longo prazo, é necessário ser diversificado (o que inclui moeda forte). Dólar, Libra, Euro, Dólares de Cingapura, Ouro, etc. Hoje o mais importante e funcional ainda é o dólar. A nossa moeda, Real ou BRL, é uma moeda muito frágil a qualquer choque/crise internacional. Além disso ainda temos as nossas crises nacionais com recorrência e o viés inflacionário tupiniquim.
Arrisco dizer que o passado recente mostra que no máximo a cada sete anos ocorre uma crise que pressiona ou desvaloriza o Real. Crises mexicana em 1994,  asiática em 1997 e russa em 1998, desvalorização do Real em 1999, eleição do PT em 2002, crise financeira internacional em 2008, e crise da dívida pública brasileira em 2014-16. Todas elas estressaram a nossa moeda. As crises sempre virão, pois elas são a realização de uma correção de caminho econômico… mas nós podemos estar mais preparados para a próxima!
O processo de construção de patrimônio é lento e constante, deve ser entendido como maratona, pois demora décadas. Durante essa construção, passaremos por várias crises, e estaremos muito mais preparados com uma diversificação cambial.

4) Pagamento de menos taxas e menos impostos.
O IOF vigente para compras com cartões de débito e crédito nacional é de 6,38%. Somado a isso, cada entidade financeira emissora do cartão usa uma cotação própria bem desvantajosa para os clientes. Através desta excelente matéria do Melhores Destinos, chega-se a conclusão que a cotação do dólar do cartão de crédito custa de 0,3% até 7,3% mais cara do que poderia ser.
Se comparar com compra de divisas em casas de câmbio, o IOF será de 1,1%, mas você ainda paga a margem ou spread para a casa de câmbio. Nos testes que fiz para a compra de 1000 dólares na cidade do Rio de Janeiro, essa margem equivalia a pelo menos 3% extras, a depender da casa de câmbio.
Em contrapartida, tendo uma conta no exterior, a plataforma Transfer Wise, que realiza transferências entre contas para do mundo inteiro, garantiu para minha simulação de transferência de o valor de 2,44% de taxa mais IOF.
Pagar taxas e impostos menores está muito relacionado com construção de patrimônio. Ao longo de décadas pagando menos, o benefício acumulado é enorme lá na frente.
O resultado com IOF é que compras no cartão de crédito podem custar entre 6,68%-13,68% mais caras, em compra de papel moeda de pelo menos 4,1%, e com uma conta corrente no exterior pode ser de apenas 2,44%.

5) Quanto possuir em moeda forte?
Esta resposta é individual e não há gabarito para a pergunta, mas detalhes deste tema são bem interessantes, e cabem melhor em um outro texto. Desde que entendi esta importância, variei minha carteira de investimentos para ter entre 2-13% de exposição ao dólar. Hoje tenho 5%, mas em processo de incrementar para 8%. Em resumo, acredito que os principais fatores para determinar a quantia da exposição cambial são:

  • Perfil de consumo e estilo de vida da pessoa;
  • Os outros tipos de investimento (portfólio) que a pessoa tem, e;
  • O ciclo econômico que o país/mundo estiver passando.

6) Como começar e abrir uma conta no Exterior?
Existe um texto excelente do Investidor Internacional, Raphael Monteiro, junto com a Inversa Publicações que introduz muito bem o assunto: Os 19 bancos para se investir no exterior.
O site Investidor Internacional tem um conteúdo excelente, e a mim só cabe indicá-lo pela qualidade de suas informações.

Hoje tenho uma conta no BB Americas e na Interactive Brokers. A conta no BB Americas eu a utilizo basicamente para saques e compras no débito no exterior, além de compras online. Tenho um investimento básico de crédito (CD) que é um título de dívida. A conta na Interactive Brokers está aberta mas ainda não transferi os recursos. Ela servirá para ter acesso a ETFs, ações, opções e índices estrangeiros interessantes.

Se você já tem uma conta aberta, estamos juntos nesta empreitada!
Se já havia pensado em abrir uma conta no exterior, o que está faltando? Vamos abrir?
Se você ainda não havia pensado nisso, gostou da ideia?

Um abraço!

MDElsewhere

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5 comentários sobre “Você precisa ter uma conta no Exterior

  1. Ótima matéria MD!
    O que acha de abrir uma conta na Europa para poder acumular Euros (além dos dólares)? A depender do destino da viagem, essa diversificação pode oferecer vantagem, não acha?
    Grande abraço

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    1. Faaala 3M!

      A conta no Exterior pode ser na Europa, nos EUA, Panamá, Cingapura, etc… São muitos bancos estáveis e disponíveis que abrem conta inclusive à distância.
      Um bom início é ter uma conta em um país seguro ao qual você mais viaja, pois aproveitará melhor o benefício de conta corrente além de uma conta investimento. Certamente a Europa é uma ótima pedida para nós!

      Vários bancos também oferecem uma multiconta, alguns com possibilidade de mais de 10 moedas.

      Um abraço e obrigado pelo comentário!

      Curtir

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