Resultado do Portfólio MD- (1S17): +12,0%

Esta é a terceira vez que escrevo ao final de um semestre para registrar e compartilhar com amigos o estado dos meus investimentos: o que deu certo e errado no período, as teses em que acredito, e principalmente para ensejar o debate e troca de informação. Entretanto, esta é a primeira vez que vou deixar o texto público. Espero que desta forma consiga motivar mais pessoas, e assim vamos pra frente!

Eu acredito que falar sobre investimentos e finanças no Brasil ainda é bem difícil/incomum. Talvez pela baixa penetração do assunto, talvez por existir um tabu sobre falar de riqueza, ou por poder ser taxado como ganancioso, ou até talvez porque a sociedade brasileira condene o lucro. Enfim, o motivo não interessa neste momento. O que sei é que o assunto é de importância primária e eu incentivo a discussão.

O ano começou de forma espetacular para os ativos brasileiros. Ainda no 2S16, após a eleição do Trump, houve boa recuperação ainda em dezembro, seguido uma gloriosa performance em janeiro e fevereiro. Em março e abril ocorreu uma pausa mais que natural para respirar enquanto aguardávamos o desenrolar da reforma da previdência. Até que em 18 de maio foram divulgados os áudios de Joesley Batista e a instabilidade político-econômica voltou. Revivemos mais um circuit breaker na bolsa de valores. Em maio e junho tivemos uma correção nos preços dos ativos pelo novo cenário nebuloso. Atualmente os indicadores econômicos de PIB e emprego esboçam uma melhora marginal e a inflação continua sendo esmagada.

Neste momento aguardamos e esperamos a retomada da economia e o desenrolar político de Brasília.

Vamos ao resultado apurado mensal e semestral do portfólio MD-, mas antes disto, gostaria de explicar como avalio a performance mensal:

Performance no mês “m” = (MDm – MDm-1 – Am)/ MDm-1.

Onde:
MDm = valor de mercado do Portfólio MD no último dia do mês analisado.
MDm-1 = valor de mercado do Portfólio MD no último dia do mês anterior ao analisado.
Am = aporte realizado no mês analisado (dinheiro de outras fontes que entraram no portfólio).

1S17 Resultado Mensal no 1S17
Resultado acumulado em 1S17: 12,0%.

Fico contente em avaliar este resultado para o primeiro semestre de 2017. Com a sobriedade que devemos ter sempre, resultado passado não garante futuro e o 2S17 será bastante desafiador como qualquer outro. Sinceramente, estou preparado para uma redução na performance.

Aqui faço uma ressalva muito importante: um mês, um semestre, um ano, não devem ser períodos para avaliar se um investidor é bom ou não em investir. Digo isto porque para ter um resultado alto, basta ter sorte colocando uma quantia expressiva em algum ativo que eventualmente decole. E como existem milhões de investidores, certamente serão milhares que colocarão dinheiro em algo que vai decolar num curto período de um mês até um ano por exemplo. Aprendi que o importante e desejado é ter resultados consistentes por vários anos seguidos, por décadas… é isso mesmo, acredite. Esse é o espaço temporal que miramos na construção de patrimônio.

O processo de investir se assemelha a uma maratona. Não adianta tentar voar baixo nos primeiros quilômetros se você não tiver fôlego para a linha de chegada. Se você tentar correr acima da sua capacidade física (ou arriscar além do que deve em um investimento), pode não ter energia ou se contundir e não completar a maratona (ou quebrar financeiramente ou psicologicamente antes de chegar no seu objetivo).

Sobre este primeiro semestre, gostaria de registr­­ar algumas reflexões que relembrei no período:

– O Ibov está longe de ser um índice perfeito para representar a oportunidade no mercado acionário. Percebi que apesar do Ibov ficar caindo seguidamente em março, minha carteira de ações (muitas ações fora do Ibov) continuou se mantendo fazendo um descolamento do índice.

MD Acoes 1S17
Desempenho da carteira MD Ações no 1S17.

– A medida de risco de um ativo através da volatilidade do mesmo causa quedas ainda mais agudas do mercado, evidenciado no circuit breaker de 18 de maio. Isto ocorre porque quando o mercado cai subitamente e atinge o nível de volatilidade permitida por um grande fundo de investimento, este é forçado a vender um volume razoável de seus ativos para diminuir sua volatilidade apurada, causando mais quedas dos preços e disparando o limite de outros fundos também. Esse processo se retroalimenta como o explicado, fazendo com que os preços fiquem bastante distorcidos e sem fundamento.

– O ser humano realmente prefere estar junto com a maioria do que isoladamente. Imagino quantas pessoas podem ter se desesperado em 18 de maio e vendido boa parte de seu patrimônio com 10% a 15% de desconto… Certamente não é fácil aguentar o pânico, mas o mais sensato em geral é não fazer nada mesmo. Eu acredito que a perda financeira nem é o pior, pois a principal sequela que o investidor pode ter, é que após sair do mercado num choque/tombo desses, ele fica traumatizado e dificilmente volta. Se voltar é num próximo ciclo de euforia, e até lá pode repetir as falácias aos outros de que “bolsa é cassino”, “bolsa não é pra mim”, que no “Brasil não é preciso de bolsa por causa do CDI”, e etc. Isso pode deixa-lo de lado de oportunidades maravilhosas que o mercado de capitais pode oferecer (principalmente após grandes tombos).

Imagem do meu home broker salva para recordação do dia 18/05/2017. Quedas de até 20% no valor das ações.

– Os ativos de risco são representados por séries não-lineares. O preço das ações não aumenta de forma ordenada e tranquila, pois o preço é flutuado pelas emoções. Se você acredita numa tese de investimento, você deve estar comprado nela e aguardar. Se a tese se provar verdadeira, o preço do ativo mudará provavelmente mais para a forma de um salto do que moderadamente dia após dia. Poucos dias fazem a diferença no resultado final. Para este semestre que passou, quem ficou de fora em janeiro, por exemplo, provavelmente está com resultado próximo do zero. Para quem entrou no mercado nesse ano e saiu dele no 18 de maio, provavelmente está com resultado negativo.

 

Um dos assuntos que mais tenho interesse é Alocação de Recursos. A cada escolha feita por um investimento, é feita também a escolha de abdicar de todos os outros investimentos possíveis para aquele capital. Você pode fazer o mesmo paralelo com o tempo: a cada hora que você gasta para fazer algo, está também renunciando utilizá-la para qualquer outra atividade.

Aqui faço um parênteses para um exemplo prático (se tiver interesse só em finanças pode pular este parágrafo): a cada hora utilizada em suposto entretenimento em consumo de mídias sociais, séries de TV, novelas, e conteúdos jornalísticos de péssima qualidade (quase todos), um indivíduo está abdicando de uma mesma hora de produção de trabalho ou conteúdo de qualidade como aprender a tocar violão, praticar um esporte, estudar idiomas, finanças e etc. O tempo do dia foi distribuído igualmente a todos, são 24 horas. No final da vida terei orgulho mais das corridas que corri e dos textos que escrevi, mas não do Facebook ou Instagram que tive (lembram do Orkut!?)… Para deixar mais claro, acho que cada um deve buscar sua felicidade. Se o cara é feliz vendo série de TV ou debatendo “conteúdo” em mídia social, está tudo bem por mim. Entretanto, meu incentivo a todos é por algo de mais produtividade e qualidade, e tudo que tem mais qualidade envolve mais esforço, como estudar, trabalhar, escrever, praticar esporte, etc.

Voltando ao assunto finanças após breve divagação do parágrafo anterior (desculpe-me se você não gostou ou não concordou), cada investidor deve buscar desvendar seu perfil de risco e tolerância à volatilidade. Será crucial para alocar seus recursos de forma a atingir seus objetivos. Essa tarefa de descobrir o perfil não é simples, ela leva tempo, e inclusive o perfil do investidor muda com a vida e experiência.

Na tabela abaixo represento como mudou minha alocação de recursos durante o semestre que passou e coloco também na última coluna as bandas percentuais que julgo adequadas ao meu perfil de volatilidade.

Classe de ativo Alocação MD- inicial para 1S17 (%) Alocação MD- inicial para 2S17 (%) Banda de Alocação possível para o perfil MD (%)
Renda Fixa

43,1

40,3

25-60

Ações

39,7

39,4

20-60

FIIs – Fundos de Inv. Imobiliários

11,9

12,5

5-35

Dólar (outras Moedas)

4,2

5,6

2-20

Ouro (Metais)

1,1

2,0

0-5

Opções

0,0

0,2

0-3

Imóveis Físicos e Terras

*

*

0-30

Artigos de Coleção e Relíquias

*

*

0-5

Start-ups / Empresas próprias

*

*

0-5 / 0-30

Total

100

100

100

* Obs.: Coloquei na tabela as classes Imóveis Físicos, Artigos de Coleção e Start-ups porque também os considero como classes de ativos importantes, mas a liquidez dos mesmos pode ser menor e não incluirei na discussão essas classes neste momento. Gostaria de compartilhar umas ideias sobre essas classes em outro texto.

Atenção: isto não é uma recomendação de alocação! Escrevi apenas para exemplificar como eu penso para a minha tolerância de volatilidade! Este site MDElsewhere não faz recomendações de investimento. É apenas um espaço que utilizo para compartilhar ideias. Não sou profissional no assunto e não tenho nenhuma qualificação que me permita recomendar investimentos. Não tome decisões de investimento com base neste site.

Portfólio MD- 1707e
Alocação de Recursos MD- do final do 1S17 e para o início do 2S17.

Tenho uma carteira com maior representatividade em ações pelas razões declaradas a seguir.
– Acredito que os negócios via ações são o melhor veículo para construção de patrimônio no longo prazo.
– Se estamos mesmo na maior recessão da história do Brasil, é racional pensar que o momento é propício para se ter ações. Esquecendo as notícias diárias e olhando com distanciamento dos acontecimentos, o país pode estar muito melhor daqui a 5-10 anos do que está agora.
– A taxa básica de juros SELIC está em queda, a inflação está derretida, a meta de inflação já foi ajustada para 4% em 2020, os juros reais do Brasil são muito altos e isso implica que há um espaço enorme para transformá-los em valores menores. Todos estes fatores combinados implicam numa migração/fluxo natural para investimento em ações.
– Devido a recessão de 2014-2016, os lucros das empresas estão muito abaixo do que poderiam estar. As empresas que sobrevivem a grandes crises, saem mais enxutas (eficiente nos gastos). Com a retomada da atividade econômica e redução de despesas financeiras com juros, pode vir lucro na veia das empresas.
– O preço de uma ação é extremamente influenciado por dois fatores. 1) Custo de capital, ou seja, a atratividade relativa de investir em ações em relação à renda fixa (títulos de dívida). 2) Lucro das empresas, pois por fundamento se uma empresa passa a ter lucro de 10% maior em diante do que antes, o preço da ação aumentará 10% (mantendo todas as outras condições moderadamente constantes). Neste momento acredito que temos as duas condições com potencial de realização.

Por estes motivos, estou comprado em ações e juros longos no Brasil, apesar de todos os riscos noticiados diariamente. Relembro que no dia em que os riscos forem substancialmente menores, o prêmio de risco já terá ido para quem comprou antes, e os preços dos ativos estarão certamente maiores.

Não há investimento sem risco, o diferencial é ter ciência de quanto de risco você topa correr (e inclusive perder) para obter o retorno desejado.

Os riscos mapeados no cenário nacional são:
– Não solução da dívida pública via reforma da previdência, o que implica em câmbio disparando, hiperinflação, mais crise econômica e real virando “pó”.
– Eleição de um presidente/partido enviesado ao intervencionismo, nacionalismo e protecionismo como tivemos nas últimas eleições, e com isso um aumento da probabilidade de tentativas de soluções heterodoxas para a economia, com grande chance de cair no primeiro item.

Para o segundo semestre de 2017, minha meta é estudar mais sobre o investimento internacional para comprar via corretora no exterior ETFs, ações globais e opções. Além de ser um caminho natural da diversificação independente do país em que nascemos, essa inclinação ao exterior também servirá para mitigar os dois principais riscos levantados anteriormente. Já escrevi um texto no site sobre importância de ter uma conta no exterior e pode ser lido clicando aqui.

Para último assunto deste texto, faço uma atualização da minha caminhada rumo à independência financeira através do gráfico abaixo. Este é um processo muito lento, de resultado quase imperceptível, mas será perseguido com afinco. Esclareço o que significa neste texto do site.

Proventos 1706
Rendimentos recebidos mensalmente para atingir a meta da IF.

 

Como os dividendos pagos pelas empresas não tem periodicidade mensal, o somatório de dividendos, aluguéis e cupons é bastante variável por mês. Montei e tracei séries com médias móveis de 6 e 12 meses para suavizar e interpretar os valores. Espero que a economia retome atividade mais forte neste 2S17, que as empresas paguem mais dividendos e que a vacância diminua para os imóveis.

É isso pessoal. Independente do próximo resultado ser positivo ou negativo, continuaremos na batalha com disciplina no método, com estudo de finanças e economia, aportes mensais, avaliação dos balanços/performances, paciência na espera dos resultados, e bastante debate de ideias.

Vamos adiante!

MDElsewhere

Anúncios

6 comentários sobre “Resultado do Portfólio MD- (1S17): +12,0%

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s